4.8.07

Morte, onde devo embarcar?

Dançante, energético e polêmico, o rock’n’roll surgiu nos anos 50, com uma abordagem que – ao menos inicialmente – se refere a temas simples e marcantes, sobre a juventude; coisa que traz, de uma forma ou de outra, sua ousadia, sua loucura e paixão. Esse é o espírito envolvente e transgressor do rock que, nos anos 60, sob influência dos movimentos anti-guerra e das drogas, levam as bandas a produzir sons mais complexos, psicodélicos, surreais, virtuosos. Os anos 70 faz um retorno ao rock mais primitivo, acompanhado de rebeldia, com o punk rock, o hard rock e o glam.

Os anos 80 não mostram um desenvolvimento tão homogêneo assim. The New Wave of British Heavy Metal surge, o que desembocaria em uma gama de variadas vertentes, que formam hoje um mundo à parte do rock, digamos assim. Afinal, a riqueza de estilos é tamanha que é necessária uma classificação diferenciada, mais específica. Em contraposição a rebeldia e agressividade do punk rock, nasce o post punk, que por sua vez é pessimista, com temas mais melancólicos e reflexivos. Surge a partir da desilusão que causou o movimento punk, com suas idéias revolucionárias. Daí a abordagem mais obscura e decadente do post punk, que forma o que hoje conhecemos como o Gothic Rock e seus góticos. Algumas bandas que ainda tentam manter vivas as influências do punk, existentes no post punk, formam um estilo denominado Death Rock.

Pode-se dizer que, generalizadamente, os anos 90 mostram uma musicalidade mais alternativa, com estilos inovadores que são postos em dúvida quanto a sua própria existência, como o New Metal, Metal Industrial, o Gothic Metal e o Grunge, apesar disso não ser uma constante. Talvez aqui seja mais evidente que o rock e o metal começam a se dividir entre “conservadores” e “liberais”. Por exemplo, alguns acusam o New Metal de não ser metal – idéia defendida por mim mesma -, enquanto outros julgam que é algo novo, e nem por isso deixa de fazer parte do estilo. Atualmente, estilos e bandas tornam-se mais conhecidos através da mídia, gerando diversas discussões acerca do “espírito” da banda – vender ou produzir som de qualidade? Dinheiro ou fama? Puro mercado? – e distinções como “posers” e “tr00s” tornam-se recorrentes.

Eis uma síntese – ou o que pretendia ser uma – sobre a história do rock, mas tão porcamente elaborada que creio nem ao menos merece ser classificada como tal. Enfim, um dia eu consigo. Quem vos fala é Jack, muito prazer - ou não. Na verdade, apresentações me deixam desconcertada, e talvez minha freqüente antipatia me impeça de sentir prazer ao conhecer novas pessoas. Eu poderia ter feito um longo discurso sobre as origens do rock, seu desenvolvimento e blá blá blá, o que me renderia mais leituras e estudos. Mas, e daí? Seria apenas mais uma história entre tantas outras espalhadas pela Internet, e não diriam nada de significante. Então por que a escrevi? Procedimentos de praxe, no intuito de fazer uma apresentação bonitinha, essas palhaçadas...

Se o Diabo é o pai do rock, o que seriam seus apreciadores senão pessoas se dirigindo ao próprio inferno? Entretanto, o que essa alegação significa? Que o rock vai contra os valores e normas vigentes. Ele celebra a vida, engloba o ser humano em sua totalidade, o que pode ser vislumbrado na tremenda variedade de estilos e letras. Transgride, choca, ousa, critica. Estar munido deste espírito é o que faz, acima de tudo, alguém estar realmente sintonizado com o Rock, e o que ele oferece. Infelizmente, hoje em dia, muitas bandas perderam isso, e hits de 2 semanas – claro, até que surja outro com maior destaque – me faz pensar em como a música se tornou algo tão banal, vulgarizado. Reflexos do consumismo? Talvez.

O que eu proponho, de forma geral, é a discussão acerca de temas polêmicos do rock’n’roll – incluindo o metal – e análise de músicas, seguindo a proposta do blog. Mas, apesar de tudo, mostrar como a música pode ser usada para refletir acerca das idéias de uma época, o quanto pode influenciar gerações futuras, quantas reflexões maravilhosas estão escondidas em sua melodia, enfim – o estudo da alma humana segundo uma perspectiva musical.